O mundo não tem cor, não tem vida.
Mas tenho de continuar a seguir em frente, a viver.
Apanho os meus cacos do chão e tento colar um por um até que me sinta viva novamente.
Como qualquer loiça que se quebra e se volta a colar, também eu fico com marcas, danos, estragos, mazelas que dificilmente irão sarar.
O amargo de uma perda, de uma desilusão fica.
Esse sabor permanece em nós. Consumindo-nos. Tornando-nos tristes, frios, secos.
Não confiamos em ninguém. Não nos damos a ninguém.
Ficamos fechados numa bolha com medo de tudo e de todos. Medo de arriscar, de viver.
Mas eu não quero ficar seca para a vida.
Não consigo viver sem dar tudo de mim.. até à última gota do meu sangue.
Por isso em vez de me trancar dentro de mim, vou transformar esse amargo em outras formas de amar, de dar de mim. Para mim!
Porque ninguém o merece tanto quanto eu!